João Doido
João doido, cara doido de pedra, como diz o dito popular, este foi o nome que fora batizado em um lugar, que só doido de pedra, vive, porque vivia uma vida cruel, antes de chegar ali;
João era o primeiro irmão, dos outros trez, onde tinha mais dois meninos e uma menina, João vivia afogado em tristezas e angustias devido a vida que vivia, junto a sua família, ou seja, o que sobrou de sua família, uma vez que o destino arremessou todos pro espaço, como se fosse um vendaval, em uma cidade de madeira, família de seis pessoas , onde o pai, um bêbado em potencial , bebia que nem gambá, quando encontra um alambique, chegava em casa todos os dias sujo, devido os tombos que tomava, em dias de chuva, após ingerir vários copos, contendo cachaça, e já no portão gritava: “João seu sem vergonha abra essa porcaria de porta!”- e aquele garoto de pouco mais de dez anos vinha de encontro ao seu pai. João só tinha ido à escola trez anos, mas desistiu porque tinha dificuldade de aprender, pois não tinha subsídios para dar sustentação ao seu aprendizado, pois lápis e caderno que ganhou na escola, o livro era emprestado, não tinha uniforme, porque não tinha nem dinheiro para se alimentar como devia, uma vez que viviam de donativos de pessoas bondosas, e sua mãe, dona Benedita (a Dita), que ganhava somente o básico lavando roupa, para sustentação dos filhos.
Seu Eduardo, (o Dado), o beberrão que jamais tinha trabalhado, e não se preocupava com seus filhos, ainda bem que tinha dona Benedita, mulher honesta, que cuidava muito bem dos filhos, dentro de suas possibilidades. e nas noites de segunda –feira, levavam seus filhos na missa das almas,pedir proteção pros filhos ,e por tabela pro pau de pinga.
João, que só tinha o terceiro ano primário, porque não conseguia aprender, saiu da escola, para trabalhar, com uma caixa quadrada, com apoio para os pés, ou sapatos, fora engraxar sapatos na praça da cidade, e levava algum dinheiro pra sua mãe, no intuito de ajudar nas despesas.
Mas, naquele vendaval que fora citado nesta historia, foi à gota d’água para João, pois sua mãe falecera com uma doença que jamais fora diagnosticada, e tudo desabou em sua vida, seus irmãos foram para uma creche da prefeitura da cidade, onde aguardavam famílias ou pessoas que os adotassem, pois o pai, já não tinha mais noção das coisas, bebia muito mais,que as pessoas pegavam-lhe e davam banho e roupas limpas, mas depois de dois ou três dias começava tudo de novo.
João tinha pena do pai, chorava pelos irmãos, e ainda trabalhava como engraxate naquela cidade, e às vezes discutia com pessoas que pagavam bebida ao pai, mas, um dia quando fazia isto seu pai pegou uma cadeira do bar, e desferiu-lhe um golpe na testa, onde provocou algumas escoriações, momento que João, se revoltou, virou as costas, e foi para uma estrada próxima a cidade, e pedindo carona a um caminhoneiro, se jogou ao mundo.
Chegou a Santo Amaro, bairro de São Paulo, onde ficou alojado em uma fenda de um viaduto que existe naquele bairro, colocou vários papelões no chão algumas madeiras que encontrara próximo dali, e morava precariamente naquele lugar.
Agora, João aprendera a fumar cigarros ,que pedia as pessoas, até maconha já fumava junto moradores de rua que conhecera por ali,mas tinha pavor de bebida alcoólica devido ao vício do pai.
João também aprendera a praticar pequenos furtos, junto aos colegas que conhecera naquela vida louca, pois era difícil ávida, pois tinha a pele negra, e a rejeição e o preconceito, é grande em cidade grande, e onde o mesmo sofria deste mal.
Certo dia, o mesmo fora acusado de ter roubado uma bicicleta de um filho de uma professora, que logo após foi reconhecido indevidamente pela vítima, e obrigado assinar uns documentos na delegacia - Ato Infracional - e após ser levado para uma instituição chamada Febem. Lá chegando, fora apresentado como Neguinho, e logo em seguida se envolveu com outros menores delinqüentes, e um deles que conhecera recentemente sob o viaduto recepcionara o mesmo.
Envolveu-se tanto, que com uma semana, já tinha um xuxo (vergalhão pontiagudo, arma mortal, usada pelos menores dentro daquele estabelecimento prisional), no intuito de impor respeito.
Ângelo, nome do amigo que conhecera na rua, envolvera-se em uma briga com outro menor, e João tomou as dores de Ângelo, acertando várias vezes nos braços do outro menor inimigo de Ângelo, e fora separado de pavilhão, ou pátio, onde fora apelidado de João doido.
Agora João doido era um moleque perigoso e respeitado pelos outros menores que o tinha como líder, João doido já não lembrava que tinha irmãos, somente a noite e o dia pra curtir aquela vida de delinqüente.
Por sua vez, Ângelo tinha um grande conhecimento naquela instituição prisional, uma vez que já era reincidente daquele lugar, articulou um encontro com João doido, para programar uma rebelião para o dia das mães, e aconteceu do jeito que programaram. Quando após almoço, dezesseis rebelados, liderados por Ângelo e João doido, fizeram quatro reféns, obrigando-lhes abrir as portas principais, e se evadiram por caminhos ignorados, João doido e Ângelo, foram parar no bairro Capão Redondo, bairro periférico de São Paulo.
Lá chegando, João doido e Ângelo se encontraram com outros meliantes, onde menos de 24 horas, já tinha em seu poder uma pistola 380 , e uma pistola luguer, de fabricação alemã, e uma sacola cheia de munição que adquiriram sob consignação, pois pretendia buscar a boa, gíria usada entre a malandragem.
Domingo, 2:30h, madruga do dia 25 de Dezembro, quando todos se recolhiam, após trocarem presentes, depois da ceia, pois era Natal, aquela família de classe media alta, e uma nova vida que acabara de entrar para a família, Juliana, era seu nome, e estava muito feliz, pois após oito anos confinada, acabara de sair daquela creche, para morar como filha adotiva daquelas pessoas que a admiravam muito, pois era muito comportada e bonita, e já estava curtindo muito sua vida nova, naquela linda casa.
Novo pai que dizia: ─ Calma, calma, não faça nada! E aquela menina estava Quando entrara em seu quarto, o primeiro de sua vida, ouviu gritos de seu pai, assustada, pois nunca passara por uma situação tão gostosa e inovadora, mas aqueles gritos de pessoas estranhas dizendo: ─ Cadê as jóias, cadê o dinheiro? Coisas assim. Juliana assustada saiu correndo ao encontro do pai, quando se deparara com Ângelo com arma em punho, dizendo que queria jóia e dinheiro.
Momento que Dr. Amâncio, médico Clínico Geral, e atirador praticante de tiro alvo, entrou em luta corporal com Ângelo, e após dominá-lo desarmou-o e, em seguida chegava João doido assustado, atirando várias vezes, em direção a Dr. Amâncio que dominava Ângelo, onde fora ferido com dois disparos produzidos por João, e Dr. Amâncio que também atirou e acertou João doido no rosto e abdome, que caíra ferido e desmaiado. Juliana ao ver João doido caído ao chão, entrara em pranto, pois reconhecera o irmão, que a muito tempo não via.
Ângelo, e João doido, foram socorridos para o pronto atendimento de Santo Amaro, onde ficaram internados para observação. Ângelo foi operado por Dr. Amâncio, que fora informado que João doido havia falecido, ao dar entrada no mesmo local.
Qual não fora sua surpresa, quando Dr. Amâncio, sentado no sofá de sua casa, pensando no que seria da menina, que jamais o perdoaria, quando Juliana aproxima e o abraça, pois “o perdão e o amor são os maiores propulsores do ser humano”, e ao abraçar Juliana sentiu um calor tão grande que, custou a acreditar, como pode um coração ser tão puro, sem ódio, vindo de uma família tão desestruturada.
Passaram-se alguns meses, e Juliana procurou Ângelo na prisão, para saber mais sobre seu irmão falecido, pois a muito não o via.
Ângelo sentia um remorso tão grande, que estava arrependido pela coisa horrível que provocara com o irmão da mocinha.
Dr. Amâncio acreditara em seu arrependimento, e até ajudara a tirar o jovem da prisão, levando-o para trabalhar em sua casa como motorista, queria dar uma chance de Ângelo recomeçar sua vida, teve uma surpresa muito grande, pois Ângelo começou a estudar, e começou a namorar a moça, se apaixonou por ela, e em menos de cinco anos, já estavam noivos, e Ângelo já estava construindo uma casinha, em um terreno, que comprara em Diadema, em um bairro pobre, mas tranqüilo daquela cidade.
Juliana se formou enfermeira, e trabalha com Dr.Amâncio, no Hospital do Servidor Público, e Ângelo se formou Policial Militar, pois não tivera antecedentes criminais, e trabalha em Diadema, e nas horas de folga faz um trabalho social com menores carentes naquela cidade.
“Assim caminha a humanidade!” - frase conhecida por curiosos e amantes da verdade, como aquele velho ditado, de onde que não se espera é que se encontra.
Um homem tem toda uma estrutura para ser alguém na vida, junto sua família, e cai na lama suja do mundo. Outro sai da sarjeta, e se transforma em um exemplo para os novos que chegam a este mundo cão.
2 comentários:
João doido ,nome forte para um menino que fora jogado no mundo pelo tal destino.primeiro perde a mãe, depois o pai ,apesar de nunca tê-lo depois perde sua irmã, pois se perdeu também,e foi resgatado nesta história , e este jovem, conheci e convivi com o mesmo , que apresentou-me Juliana e seu filho Matheus, de pouco mais de 8 anos
E AI KAPA???? TENHO ACOMPANHADO SEUS BLOGS, E VC NÃO TEM POSTADO MAIS NADA......???????? ME EMPOLGUEI LENDO SUAS HISTÓRIAS, QUE PARECEM TÃO REAIS, É COMO SE VC TIVESSE VIVIDO TUDO ISTO.
ABÇS BROTHER, AGUARDO NOVAS HISTÓRIAS.
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